Excesso de peso pode levar à esteatose hepática.
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Conhecido como “fígado gorduroso”, mal atinge cada vez mais pessoas
Considerada por muitos como o maior problema de saúde da atualidade, a obesidade apresenta números alarmantes, sendo apontada como a epidemia do século XXI. A Organização Mundial de Saúde (OMS) enumera mais de um bilhão de adultos com excesso de peso e cerca de 300 milhões com obesidade clínica. No Brasil, a situação também é preocupante. Estudo do Ministério da Saúde divulgado em 2006 diagnosticou 40% da população brasileira com sobrepeso, enquanto pouco mais de 10% apresentavam obesidade clínica.
O consumo cada vez maior de alimentos ricos em gordura e açúcar e o crescente sedentarismo contribuem para que o excesso de peso se torne a principal causa de diversas disfunções. Entre elas está a esteatose hepática, que é o acúmulo de gordura nas células do fígado. Segundo o hepatologista Marcelo Maia, do Memorial São José, a esteatose pode ser simples, sem inflamação associada, ou pode levar à hepatite (esteatohepatite não-alcoólica).
“Esta condição, felizmente bem menos comum, pode resultar em cirrose hepática ou câncer de fígado. Ambas as condições estão tipicamente associadas à obesidade, ao diabetes tipo II, aos níveis elevados de gordura no sangue e a síndrome metabólica. Porém, as razões que levam algumas pessoas a desenvolver esteatohepatite não-alcoólica são ainda motivo de controvérsia no meio científico”, destaca Maia.
Ainda segundo Maia, a esteatose hepática tem atingido proporções epidêmicas. Nos EUA, um em cada três adultos, e uma em cada 10 crianças ou adolescentes apresentam a condição. Já na China, Japão, e Coréia do Sul, 15%, 14%, e 16% dos adultos possuem fígado gorduroso, respectivamente. “O elevado índice de brasileiros com excesso de peso faz com que o diagnóstico de esteatose hepática seja frequente também no nosso país”.
Entretanto, o médico esclarece que a grande incidência de pessoas com o fígado gorduroso não significa que os casos irão progredir para alguma doença hepática crônica. “Esta alta prevalência mundial contrasta com a proporção relativamente pequena de pessoas com fígado gorduroso que apresentam doença hepática progressiva, ou que desenvolvem doença terminal do fígado. Um estudo dinamarquês, realizado em 2004, com 109 pacientes portadores de obesidade mórbida e com esteatose hepática simples, constatou, após um período de 17 anos, que a progressão da condição hepática ocorreu em menos de 1% dos pacientes”, informa Maia.
Apesar dos pacientes poderem apresentar um leve desconforto na parte superior do abdômen, a esteatose costuma ser assintomática, ou seja, não apresenta sintomas. “Na maioria dos casos, o paciente não apresenta nenhum problema quando é diagnosticado”, afirma. Ainda segundo Maia, qualquer método de imagem, como a ultrassonografia, tomografia computadorizada e a ressonância magnética do abdômen, diagnosticam a maioria dos casos de esteatose hepática. “Na ultrassonografia, o fígado fica mais brilhante”, esclarece.
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